Não falar é outro jeito de falar

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

A filósofa gaúcha Márcia Tiburi escreveu, há pouco, como conversar com um fascista. Se ela foi incoerente ao recusar-se dialogar com Kim Kataguiri, integrante do MBL, nesta semana? Não. Surpreender os fascistas com ações é primordial. Não querer falar também é uma forma de falar. É uma provocação autêntica para que estes percebam que existe um outro, uma outra, de carne e osso. Estar eternamente à disposição não ajuda quem sempre acha que está com a razão, quem ostenta a espada sagrada do capital e golpeia quem lhe desafia. Como seguidor do pacifismo de Jesus, de Gandhi, de Hélder, para citar apenas três, ainda que não entenda tudo deles, penso que esta configura-se legítima ação não violenta. Do contrário não seria pacifismo, tampouco libertação, seria subserviência e melação. Fascistas, capitalistas e violentos sempre desejam que estejamos de braços abertos a eles. Fazem e, um dia, quem sabe, dizem ter se arrependido. Mas eles não costumam se arrepender. Por outro lado, salvo exceções, garantistas, socialistas e pacifistas confiam em demasia em suas utopias e entregam exclusivamente ao futuro suas pretensões. Entretanto, ser pacifista e resistir as pancadas  e os golpes não significa permanecer em gozo no chão. Até porque pacifismo não é passividade e nem masoquismo. E a defesa da dignidade, no concreto da vida, não se consolida botando fitinhas no braço, soltando pombinhas brancas, dando abracinhos e beijinhos, não se faz com melações. Ações não violentas são provocativas, transformadoras e exigem muito de quem se aventura a fazer a paz.

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