Quero entoar um canto novo

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Há um ano, um grupo formado por mulheres, em sua maioria, pequeno em quantidade, mas imenso em sentido, dedica duas horas de seu tempo mensal para vigiar pela paz e a não violência. Efetivamente, juntamo-nos em sintonia com pessoas, comunidades, organizações e inúmeras realidades. Não obstante, também nossas vigílias pessoais, as quais voluntária e involuntariamente invadem ou são invadidas pelas madrugadas, são frágeis, porém perfumados grãos de incenso sobre a brasa que sempre arde por mais vida em abundância. Ou seja, esta é nossa forma de provocar e alimentar uma espiritualidade e mística que se mantenham engajadas nas causas complexas e inquietantes da paz. E se isto é novidade para uns, para outros é a retomada de um primeiro amor.

Estamos prestes a celebrar o Dia Internacional da Paz, em vinte e um de setembro, dia proclamado pelas Nações Unidas, em mil novecentos e oitenta e um, como dia de cessar-fogo e de não violência ativa em todo o mundo, cuja finalidade não é apenas que as pessoas pensem na paz, menos ainda que a considerem como uma golfada sentimental, mas que desenvolvam alguma ação e, principalmente, que repensem e retomem projetos e políticas públicas pacifistas; que suscitem, formem e subsidiem colaboradoras e colaboradores de todas as idades, para que, a partir de suas múltiplas inteligências, competências e habilidades sejam artesãs e artesãos da paz que não tem limites, tampouco aceita os métodos capitalistas que mantêm dois pesos e duas medidas e mecanismos que oprimem e excluem.

Em vista disso:

- convocamos as mulheres e homens de boa vontade, quem deixou sucumbir este sonho e quem a isto dedica-se diariamente, militando nas muitas frentes e fileiras, erguendo as muitas bandeiras da paz. E ao serem convocados, sejam também abençoadas e abençoados para que vigiem de novo, para que fiquem junto Dele mais um pouco, para que confirmem a luta dessa Gente que tem seus direitos básicos violados e também cuidem das demais criaturas constantemente feridas em sua dignidade;

- convocamos esta rede dispersa que um dia já sentiu o gostinho do pacifismo e da não violência e, hoje adulta, nem sempre lembra de sua adolescência e juventude. E pior ainda: talvez, até a sufoque quando ela teima em resistir; talvez, a mine e a exploda com seus comentários tiranos, passividade incrustada, ações descabidas e opções políticas nada coerentes com os princípios, meios e fins da paz vivida por Gandhi, Teresa, King, Margarida, Jesus, Malala, Mandela, Francisco, Sepé e tanta Gente;

- convocamos esta rede coesa, de muitas crenças por vida em abundância, de muitos sons e matizes, que um dia já sentiu o gostinho do pacifismo e da não violência e, com vigor e ternura, multiplica-se e ampara-se, embora nunca encontrando-se pessoalmente; que atua nas causas da educação, da assistência social, do direito, da saúde, da comunicação, da segurança, da ciência, da religiosidade, da arte, da política, na esfera pública e privada, como profissionais íntegros, onde e com quem convivem;

Embora pareça incoerência diante das opções políticas locais e globais humanamente maledicentes de quem governa e se deixa governar, queremos fazer uma vigília de agradecimento e louvor, tendo a consciência de que isto também brota da dor. Por isso, se queres a paz, entoa um canto novo de paz, um canto que ecoe em todas as causas elevadas em pranto e lamento nas preces e nas vigílias que precederam, tais como: o desarmamento, os martírios, o protagonismo juvenil, os direitos humanos, a cooperação entre os povos, o diálogo inter-religioso, a não violência ativa, o poder-serviço, a causa indígena, a diversidade sexual, a casa comum e o direito à cidade; um canto que ecoe na militância, no trabalho e na luta feita de sangue e suor em cada dia que chegará com suas próprias demandas.

Para começar: junte seu grupo, chame os amigos, reúna a família, motive sua comunidade, comente em seu local de trabalho, realize em sua escola, divulgue em sua paróquia e congregação. Supere a infantilidade da paz, provoque o debate, faça um silêncio livre, cante a antiga ou uma nova canção. Afaste-se da violência e dos violentos, do fascismo e dos fascistas. Leia um texto provocativo e até de consolo. Encaminhe uma denúncia, assine uma petição. Abrace sem roubar a liberdade, ofereça seu brinde ou jejum. Some seu grito ao dos excluídos, ajude financeiramente uma instituição. Ligue para alguém de outra crença, bote uma bandeira colorida na janela. Faça uma crítica verdadeira e em tudo pergunte o porquê, a fim de que tais coisas não sejam feitas em nome de qualquer concepção de paz.

Fraternal e sororamente,
Porto Alegre, setembro de 2017.

DIA
21 de cada mês

HORA
Das 19h30 às 21h30

LOCAL
Instituto Providência
Rua Demétrio Ribeiro, 594
Centro Histórico
Porto Alegre – RS

CONTATO
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