É preciso ocupar nossos espaços

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Confesso que entendo o movimento de muito amigos e conhecidos no sentido de expurgar todo fascista de suas redes virtuais. Boicotes podem ser eficazes. Por outro lado, também compreendo que as redes virtuais refletem nossas relações pessoais diárias, ou seja, convivemos com todo tipo de indivíduos. E isso pode indignar muito mais que nos tornar cúmplices. Até porque não somos amigos de todos os que convivem conosco. Frei Betto recorda que, para cumprir com certa eficácia o mandamento do amor, precisamos um inimigo, pelo menos. Amar os amigos é fácil. Porém, é preciso estar atento, não ser ingênuo e nem fugir quando o algoz estiver vomitando seus debochados venenos, ainda que em simpáticas e suaves golfadas. Aí, nossa simples presença poderá ser contraponto. Deletar alguém é fácil. Os próprios fascistas o fazem, literalmente. Porém, precisamos ocupar todos os espaços, inclusive virtualmente. Isto significa empoderamento. Do contrário, eles ocuparão e acharão estar no comando. Toda intervenção democrática, justa, verdadeira, incisiva, indignada, não-violenta, pacifista e não passiva, e, às vezes, o nosso mais profundo silêncio, precisam ser sinal de esperteza e astúcia. Por isso, não excluirei ninguém de minhas redes sociais, ainda que tenha impressionado-me o número de simpatizantes de um tal bolsonaro, apenas para citar um exemplo, sem contar os agentes de outras causas. Afinal, todos estes, vez em quando, passarão os olhos sobre o que sou, sobre o que penso, sobre o que faço ou deixo de fazer. Pretensão? Idiotice? Não. Apenas nada a temer e a calar.

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