Diante da morte de um soldado

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Disse o comandante da Brigada após a morte de um soldado: "As pessoas têm me perguntado se o PM não devia ter adotado uma postura mais agressiva, mais intimidatória na tarde de hoje. Eu acredito que sim. Mas sei que ele deixou de adotar essa postura em razão de todos aqueles que, de maneira imediatista, sem compreensão de todo o risco que se corre e de toda a complexidade que é um cenário de uma abordagem, de uma ação policial, julgam e condenam um Policial Militar, uma Instituição..." Entretanto, absolutamente ninguém deve ser condenado à morte por quaisquer que sejam os motivos! E posso, sim, imaginar os riscos que um policial corre. Sei também que esta é uma situação bastante complexa, mas não dá pra concordar cegamente com a declaração do comandante; não dá pra legitimar a truculência dessa instituição; não dá pra confundir o uso adequado da força com violência; não dá pra admitir uma polícia sucateada moral, instrumental e estrategicamente, do mesmo modo que não dá pra deixar criminosos apavorando e dominando uma sociedade. Também não dá pra concordar com "todos aqueles que, de maneira imediatista, sem compreensão de todo o risco que se corre e de toda a complexidade", agem no impulso de suas emoções e acham que o uso de armas deve ser ainda mais flexibilizado, que o investimento em programas sociais é desnecessário, que o processo todo, da prevenção e abordagem à recuperação, não precisa ser repensado. Nesse contexto de barbárie, cada vítima e cada agressor, onde quer que esteja, é um atestado de incompetência que todos assinamos.

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