Parem porque eu quero descer

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Trabalhe! Ensine! Estude! Pode pensar? São diversas, bonitas e necessárias atividades realizadas, mas nos damos conta e falamos do que está debaixo do nosso nariz? O mundo gira e não dá pra pará-lo. Precisamos trocar o pneu do carro ainda que em alta velocidade; precisamos falar de profissão, falar de intercâmbio, de certificação no exterior, de fenômeno religioso, de mostra do saber, de bháskara, de segunda guerra, de conjunções, de teste um e dois, trimestral e enem. Precisamos ter coragem pra falar a palavra certa, na hora e do jeito certo e torcer para ser compreendido, senão o filho do secretário de estado... senão o filho do juiz que deferiu a desocupação... senão o filho do policial que lançou spray de pimenta nos estudantes... senão a filha do jornalista, do fazendeiro e de não sei mais quem... senão meu colega que ainda não entendeu que o trabalho pelos direitos humanos é necessário, que ainda não entendeu que o teatrinho de quinta categoria no congresso nacional é, sim, um golpe de estado... Senão isto, senão aquilo. E o compromisso com a transformação da realidade torna-se piada pronta. No fantástico mundo das escolas particulares e católicas, por exemplo, aí onde professores defendem abertamente fascistas e ditadores, comprometendo-se com a mentira, haveria espaço pra refletir sobre o corpo ao redor do próprio umbigo dessacralizado. Embora haja o desafio pra pensar dignamente, na prática, nem tudo é coerência. Somos iludidos, medrosos e alienados. Haveria um pacto de camaradagem medíocre quando a lágrima do outro deveria ser minha também?

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