Brasil, entre piranhas e jacarés

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal Obl. OSB)

A indignação pela unilateralidade do juiz federal Sérgio Moro e seu cardume fascista na condução da Operação Lava Jato faz-nos achar que nesse rio onde estamos só tem moluscos e piranhas, quando nele também há crustáceos, dourados, sucuris, candirus e, sobretudo, jacarés. E os tais jacarés, a essa altura, alguns autodenominando-se apartidários, novinhos e centenários, até já abrem a bocarra pra reconhecer que suas amigas piranhas também dilaceram boa parte do boi. Se as piranhas acham-se articuladas, robustas e cheias de ira e razão, em parte, por terem aumentado seu cardume nos últimos tempos e, por isso, terem que dividir privilégios entre si, os jacarés tentam camuflar-se, deixando apenas seus olhinhos de fora, pois já estão bem acostumados ao lamaceiro global dessas águas chamadas Brasil. Aliás, eles mesmos já fuçaram o fundo do leito e as encostas, já deram o giro da morte, já afogaram presas e esconderam centenas de carcaças, inclusive sob as rochas de uma questionável anistia. Nesse rio vive jacaré disfarçado de piranha, de dourado, de sucuri, de candiru, de crustáceo e até de molusco. Existe também quem não o sabe e os que juram que não são. E o mesmo pode-se dizer do resto da fauna. Mas, enquanto as piranhas e os moluscos se alvoroçam sobre uma mancha de sangue, no intuito de, ainda, decidir quem manda nessas águas, os jacarés que abocanham boiadeiros e boiadas, desde quando represaram o nosso rio, fingem ser seus legítimos guardiões e, por hora, deixam só alguns filhotes à vista na correnteza lamacenta do Brasil.

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