A realidade da prédica cristã

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Na tradição cristã, por meio da palavra Deus cria, ordena, liberta, conduz. Sua palavra engravida, faz-se carne e habita com os seus. Ela se faz boa notícia e se espalha por todo canto. É palavra que brota do silêncio. Exige escuta. Do contrário, retorna vazia. Contudo, a palavra divina não pode assim retornar. E, se somos criaturas da relação palavra-escuta, por ela também poderemos manter nosso relacionamento com aquele que nos criou. Nesse sentido, a prédica cristã deve sortir efeito semelhante. Mas, muitos estão fartos de tanta palavra escrita, falada, cantada, gritada, repetida. Palavras estéreis e poluentes. E há prédicas assim, que em vez de despoluir o poço, o entulham de mais preconceitos e legalismos. Ou é conversa pra boi dormir. Entretanto, a busca pela palavra certa e na hora certa continua necessária. Pela palavra que é chave para abrir a vida de quem a ouve, que é libertação, que consola e que dá esperança, que critica, mas dá possibilidades, que aponta caminhos, que convoca e que fecunda, que liga as coisas da terra às realidades do céu. Tal prédica pede coerência. Jesus persuadia pelas coisas que vivia. E, às vezes, é mais fácil compreender o Evangelho, com sua complexidade literária, histórica e cultural do que compreender as palavras do pregador. O que deveria ser uma atualização para determinadas realidades, torna-se uma enrolação descontextualizada, incompreensível e alienadora. Mas ninguém está afim de enrolação, pois há uma grande oferta de palavras. E só permanecemos onde a palavra faz sentido. E, hoje, sentido imediato.

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