Gelineau interpretado sem alma

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Fiquei na maior expectativa ao encontrar um Cd de salmos e cânticos com vinte melodias do padre jesuíta francês Joseph Gelineau, produzido pela Paulus. Padre Gelineau foi uma figura de grande importância para a música litúrgica após o Concílio Vaticano II, combinando a novidade do vernáculo e a fidelidade à tradição. Aliás, mesmo sem saber o compositor, fato nada incomum entre os católicos romanos, muitas melodias de Gelineau ainda estão no ouvido e na boca de nossas comunidades eclesiais, ajudando-as a celebrar e a rezar mais profundamente. Entretanto, grande foi minha frustração ao ouvir tal gravação. É verdade que não sou exímio conhecedor de música, mas um apreciador apenas. De qualquer maneira, meus ouvidos não simpatizaram com a releitura da referida obra. Com todo o respeito aos cantores, arranjadores e demais técnicos, a interpretação soou-me sem alma, quadradinha, seca e, talvez, com andamento rápido demais para minha convencional necessidade de mergulho no mistério. Por serem salmos e cânticos bíblicos, a execução deveria garantir mais que uma excelente afinação. Por ser oração, tal interpretação não me conduziu a um silêncio frutuoso, nem à piedade ou à exaltação. Ela não me convidou a orar. Pelo contrário, incomodou-me, o que achei uma pena. Inclusive as duas ou três músicas mais conhecidas soaram como um recital técnico e bonito, simplesmente, aquém da função litúrgica e mistagógica do canto. Mas, esta parece-me ser uma deficiência recorrente a várias comunidades que mantém corais.

2 comentários:

  1. Neste caso vale a máxima de minha sábia mãe: "Quando não se tem coisa boa pra falar, melhor ficar calado."

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  2. Prezada Raquel, obrigado por seu comentário. Contudo, quem não sabe o que é e para que serve a música litúrgica, qualquer coisa serve. Para mim qualquer coisa nunca serviu. E minha crítica leva em conta o despreparo e deficiência que nós, os católicos, temos em relação à música litúrgica: a música litúrgica não é show, a música litúrgica merece preparação, a música litúrgica precisa brotar do chão da comunidade que celebra... E se não servir para conduzir à profundidade e singeleza do mistério divino, simplesmente não serve para nada. E não adianta ser afinada e bonitinha... Não digo isso como técnico ou maestro, mas como alguém que tem sensibilidade suficiente para ajudar minha gente a rezar... Com carinho, Julio (Ir. Pascal, Obl. OSB)

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