Resposta a um sermão belicoso

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal. Obl. OSB)

Não precisamos mais justificativas e motivações para a violência. Como seres humanos, cristãos e católicos já sabemos ser violentos. Nossas famílias, instituições e governos já sabem agir dessa maneira. Entretanto, clamamos por homens e mulheres de boa vontade que nos mostrem como fazer a paz, que nos ensinem ler e viver o Evangelho de Jesus Cristo sob a ótica da não violência ativa, a exemplo de Hélderes, Romeros, Teresas, Dorothis, Casaldáligas e Franciscos. Mas, não foi o que ouvi no sermão da última sexta-feira, na Igreja de Santa Teresinha, Bom Fim, em Porto Alegre, quando em menos de cinco minutos tive que escutar um monólogo solene afirmando, literalmente, que, em últimos casos, a violência é necessária e possível em quaisquer circunstâncias... Não, estimado padre, a violência não se justifica por impulso, tampouco como última instância. Mas, para isso, precisamos informar-nos, ler e contextualizar as práticas do Mestre a fim de reeducar-nos, inclusive quanto à hermenêutica. Do contrário, calemo-nos. Basta recordar que Ele mesmo desarmou Pedro e, assim, tirou a espada da mão de todos os seus seguidores, que o Evangelho é um solene apelo à paz e à não violência, diferentemente daquilo que muitos cristãos fizeram e continuam assumindo como regra ou alternativa. Contudo, do meio da igreja onde me sentei para celebrar a vida, coube-me balançar a cabeça negativamente, resmungar indignado, voltar para casa e escrever este contraponto, ainda que sem autoridade sagrada que justifique a urgência da paz. Até porque aqui e acolá, há quem ouça.

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