Quando o essencial permanece

Olá, Professor Julio! Como você vai?

Primeiramente, fico muito feliz em ter conseguido este contato. Me chamo Victória Cardoso Ferreira e fui sua aluna no Colégio Santa Inês em duas ocasiões: em 2006 e 2008, respectivamente na sexta e oitava série. Talvez o senhor não se lembre de mim, mas eu lembro com muito carinho do senhor por ter sido um dos melhores professores que eu tive em toda a minha vida. 

Estou mandando essa mensagem para agradecer pelas atividades da Pastoral do Colégio Santa Inês e por todas as aulas de ensino religioso lecionadas. Normalmente, as pessoas não dão muita importância para aulas de “religião”, porque a maioria dos professores nos ensinava apenas a aceitar dogmas, por melhor que eles sejam. Fico muito feliz em poder dizer que tive aula de “ensino religioso”, conhecendo outras religiões, aprendendo sobre amor e respeito e entendendo o quão importante é refletir sobre nossas vidas. Também posso dizer que graças aos registros melhorei a minha escrita e desenvolvi um posicionamento crítico, mas as maiores lições são aquelas que não serão aplicadas em textos ou até mesmo em discussões, mas na vida. Nesse sentido, suas aulas realmente foram transcendentais. 

Por último, gostaria de me desculpar por uma aula em especial. Dentre tantas discussões, uma de grande importância foi sobre homossexualidade, em que eu tive uma das opiniões mais “abertas” da turma: não há nada de errado, desde que o casal se ame de verdade e não fique dando beijos em público! Hoje vejo como é preconceituoso pensar assim, pois os “limites” da demonstração de afeto em público independem da orientação sexual e, por mais que eu ache que devemos ficar só com quem amamos, não é só uma questão de amar ao outro, mas de amar a nós mesmos e nos aceitarmos como realmente somos. Sendo assim, gostaria de pedir desculpas por esse episódio e também pelos colegas que tinham posições parecidas ou piores, mas só de olhar as fotos coloridas nas redes sociais, vejo que felizmente muitos mudaram de opinião. 

Obrigada por ter dado aulas maravilhosas sobre a vida e as religiões, por ter cantando “Somos Um” (Do Rei Leão), por ter lavado os pés dos alunos, por ter indicado A Viagem de Théo (que infelizmente não tive acesso, mas não me esqueci – por sinal, agora tenho um priminho com esse nome), por ter exigido e possibilitado um registro de todas essas experiências e por tudo que contribuiu para eu ser quem eu sou hoje, principalmente no que tange à consciência de que posso evoluir e ajudar o próximo.

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