Talvez, algo há de permanecer

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Quando leio certos posicionamentos, escuto algumas manifestações e, por vezes, acompanho determinadas atitudes daquelas criaturas que um dia já estiveram sob minha orientação, pergunto-me o que mais deveria eu ter feito para abrir seus olhos e aguçar seus ouvidos, para amaciar suas mãos e colocar mais justiça em seus corações. Mas, é verdade que educar é um processo complexo. É uma questão concreta para a qual vale sensibilizar, depois, refletir partilhar e testemunhar possibilidades do que tentar impor quaisquer soluções. De modo que entre autocríticas e recordações, eis que, às vezes, nos chega alguma notícia, daquelas que nos deixam com os olhos cheios de saudade, confirmando que algumas escolhas e apostas, ainda que o emprego estremeça, sempre valerão a pena. Aliás, quando entramos em sala de aula, apesar dos mais absurdos e inadmissíveis contratempos, em quaisquer realidades, não somos capazes de imaginar ou captar tudo o que passa pela vida de quem nos recebe ou de quem nos ignora. Nada, porém, deve ser motivo para deixar de fazer o que deve ser feito, o que somente nós sabemos fazer: sintonizar, educar, ensinar, escutar, corrigir, brigar, orientar, vibrar, curtir e deixar ir - não, necessariamente, nesta ordem - sem receio de pais, diretoras, coordenadoras, colegas, alunos ou sistemas. Às vezes, isto funciona. E quem sabe, apenas isto permaneça. Sem pretensões, talvez, um dia, alguém fique olhando para você e lá daquele universo que, supostamente, nunca conseguimos atingir diga silenciosamente: meu professor.

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