Carta 38 - Filhas pela vida e pela paz

D. Irineu Guimarães, OSB
Tournay, 25/02/14.

A todos vocês
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

A ONU proclamou o dia 8 de março como o "Dia Internacional das Mulheres" para suscitar uma tomada de ação à propósito do papel das mulheres na sociedade atual. Nesta ocasião vou convidá-los a refletir e rezar sobre a contribuição das mulheres para a paz no mundo. Se elas, muitas vezes, são vítimas da guerra e dos conflitos, elas também são construtoras importantes da reconciliação.

Se muitos processos e diálogos pela paz não se efetivam é porque não se dá espaço suficiente às mulheres. O médico palestino Izzedin Abuelaish, que perdeu três filhas num bombardeamente em Gaza, e fundou "Filhas pela vida", afirma : "Nós devemos aceitar a idéia de que as mulheres podem contribuir muito nas mudanças a serem realizadas. (...) Quando os valores femininos forem levados em consideração em todos os níveis da sociedade, os valores desta sociedade vão mudar e a vida será mais fácil".

Para assegurar a participação das mulheres nas negociações de paz o Conselho de Segurança da ONU, na sua sessão número 4213, no dia 31 de outubro de 2000, aprovou a Resolução 1325. Este documento propõe que a ONU e seus Estados Membros possam se empenhar para dar às mulheres um lugar importante na prevenção dos conflitos, nas negociações de paz, assim como na reconstrução das sociedades destruídas pela guerra. Três palavras podem resumir esta resolução: prevenção, proteção e participação.

A Resolução insiste que as nações façam esforços para que as mulheres sejam melhor representadas em todos os níveis das tomadas de decisão – nacional, regional ou internacional – para prevenção, gestão e normatização dos conflitos. Que elas estejam mais presentes na qualidade de observadoras militares, de membros da policia civil, de especialistas dos direitos humanos e como membros de operações humanitárias. O documento propõe igualmente uma conduta que se preocupe com a imparcialidade entre os sexos por ocasião da negociação e da execução dos acordos de paz. Ele exige também que todas as partes envolvidas em um conflito armado respeitem plenamente as normas do direito internacional em relação às mulheres e às meninas, protegendo-as contra os atos de violência, em particular o estupro e outras formas de agressão sexual. Este documento propõe a introdução da perspectiva de gênero no processo de paz: temos que repensar a relação homem-mulher numa perspectiva de parceiros pela paz, o que exige uma nova compreensão da identidade masculina, menos guerreira e mais conciliadora.

A fim de que estas resoluções sejam colocadas em prática por todos os países do mundo, rezemos ao Senhor:

Ó Deus da paz, 
tu criaste o homem e a mulher 
à tua imagem e semelhança 
para que eles sejam um só. 
Abençoa todas as inciativas 
de colaboração entre homens e mulheres 
pela paz do mundo. 
Inspira todas as mulheres 
que se consagram à reconciliação 
e à resolução dos conflitos. 
Ilumine todos os chefes de nações 
para que possam dar às mulheres 
mais espaço nas negociações 
e nos processos de paz. 
E toda terra reconciliada, 
como uma grande família, 
bendirá teu nome para todo sempre. 
Amém.

Com toda minha amizade,

Dom Irineu Rezende Guimarães
monge benditino da Abadia de Notre-Dame, Tournay, França

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