Carta 36 - Fraternidade, caminho para a paz

D. Irineu Guimarães, OSB
Tournay, 30/12/13.

A vocês todos
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

O Papa Francisco escolheu como tema para este dia 1 de janeiro de 2014, Jornada Mundial da Paz: "A fraternidade, fundamento e caminho para a paz". A meditação desta mensagem poderá muito bem orientar a nossa prece pela paz neste primeiro dia do ano novo.

O ponto de partida desta reflexão do papa é a existência, em cada um de nós, de uma "sede incontornável de fraternidade, que leva à comunhão com os outros, na qual nós não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que nos acolhem e abraçam." No entanto esta vocação é negada por uma "globalização da indiferença, que nos faz aos poucos nos habituarmos com o sofrimento do outro, nos fechando em nós mesmos", num mundo em que falta a referência a um Pai comum, fundamento último da fraternidade entre os humanos (n° 1). Se Caim simboliza a recusa da responsabilidade pelos nossos irmãos (n° 2), Cristo, no seu abandono à morte pelo amor ao Pai, reconcilia em si mesmo todos os homens (n° 3). A paz é compreendida como um movimento de solidariedade para com todos, especialmente os mais pobres, amados "como a imagem viva de Deus o Pai, resgatado pelo sangue do Cristo e objeto de ação constante do Espírito Santo" (n° 4).

 Assim a fraternidade se apresenta como um caminho para vencer a pobreza, seja "pela redescoberta e pela valorização das relações fraternas no seio das famílias e das comunidades", seja através de políticas eficazes "que assegurem à todos sua dignidade e seus direitos fundamentais", seja ainda através de "estilos de vida sóbrios e baseados sobre o essencial" (n° 5). A grave crise financeira e econômica contemporânea pode também ser uma oportunidade para encontrarmos um modelo de economia mais fraternal (n° 6). Da mesma maneira, a fraternidade se apresenta como uma alternativa para resolver os conflitos humanos, na medida em que redescobrirmos como um irmão aquele que hoje consideramos como um inimigo a ser eliminado: o que exige um esforço firme "em favor da não proliferação das armas e do desarmamento da parte de todos, começando pelo desarmamento nuclear e químico", assim como, com uma conversão dos corações (n° 7). Um autêntico espírito de fraternidade pode impedir múltiplas formas de corrupção, como o tráfico ilícito de dinheiro, de drogas, de pessoas e órgãos humanos, etc. (n° 8). 

Enfim, uma ética de fraternidade se estende também à natureza, na utilização racional dos recursos em benefício de todos, de maneira que todos sejam libertos da fome (n° 9). "O realismo necessário da política e da economia não pode se reduzir à uma técnica privada de ideal, que ignora a dimensão transcendental do humano": é somente na abertura à Ele, que ama cada homem e cada mulher, que a política e a economia poderão ser um instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz (n° 10).

Para que as palavras do Papa Francisco sejam acolhidas por todos, rezemos usando suas próprias palavras:

Ó Deus da paz, 
"o Cristo veio ao mundo 
para nos trazer a graça divina, 
a possibilidade de participar de sua vida. (…) 
Esta boa nova reclama 
de cada um de nós um passo a mais, 
um exercício persistente de empatia, 
de escuta do sofrimento e da esperança do outro, 
incluindo o sofrimento 
daquele que está mais longe de mim, 
engajando-nos no caminho exigente do amor 
que sabe se doar e se dedicar gratuitamente 
pelo bem de todo irmão e de toda irmã. 
Que Maria, Mãe de Jesus, 
nos ajude a compreender e a viver todos os dias 
a fraternidade que surge do coração do seu Filho, 
para trazer a paz a todo homem 
sobre nossa terra bem-amada".
Amém.

Com os votos de um ano novo abençoado!

Dom Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, Abadia Notre-Dame, Tournay, França

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