Carta 25 - Crianças soldados

D. Irineu Guimarães, OSB
Tournay, 28/01/13.

A vocês todos
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

No dia 12 de fevereiro próximo, será celebrada a Jornada Mundial pelas Crianças Soldado, lembrando o aniversário da entrada em vigor, em de fevereiro de 2002, do Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança, ratificado por cerca de 130 países, proibindo o recrutamento forçado e a utilização de menores de 18 anos em conflitos armados.

Entretanto, existem ainda cerca de 250 mil crianças associadas às forças e aos grupos armados, atuando como soldados, cozinheiros, mensageiros ou mesmo para fins sexuais, seja em grupos armados, mas também em exércitos governamentais. Mais de cinquenta organizações continuam a recrutar crianças-soldado nos seguintes países: Afeganistão, Chade, Colômbia, Filipinas, Iêmen, Índia, Iraque, Israel e territórios ocupados, Nepal, Paquistão, Republica Centro-Africana, Republica Democrática do Congo, Sri-Lanka, Somália, Sudão, Uganda e Tailândia. Muitos deles são recrutados contra sua vontade e não podem mais deixar suas unidades. A maioria deles tem idade entre 15 a 18 anos, mas há casos de recrutamento de crianças de 9 anos.

As mobilizações em curso propõem :

a) A proibição de qualquer tipo de recrutamento de menores de 18 anos em forças armadas, mesmo voluntário, não importando a função, ainda que não portem armas;

b) A proibição de qualquer tipo de propaganda de recrutamento militar de menores de 18 anos;

c) A liberação de menores de exércitos e grupos armados, os quais devem ser apoiados pela sociedade civil;

d) A penalização de estados, grupos armados e indivíduos que recrutam menores de 18 anos, por uma Corte Penal, nacional ou internacional; e a adoção de sanções (econômicas, bloqueio de contas, etc.) pela comunidade internacional e pelo Conselho de Segurança da ONU;

e) Proteção, assistência e apoio para esses menores, com direito a um tratamento médico e psicológico, além de acesso ao sistema educativo e professional;

f) Concessão de asilo politico aos refugiados ;

g) Aumento dos fundos para os programas de prevenção e de reintegração ;

h) Bloqueio da exportação de armas às regiões de conflito conhecidas pela existência de crianças-soldado.

Para que estas propostas sejam concretizadas, rezemos assim:

Ó Deus, 
mãe dos pequeninos, 
dirige o teu olhar de compaixão e ternura 
para as crianças a quem o mundo roubou a infância 
e as utiliza como soldados. 
Vem logo em nosso socorro! 
Ensina-nos a acolher os pequeninos, 
como fez teu filho Jesus, 
e a respeitar e promover seus direitos. 
Assim nossa terra viverá em paz 
e da boca dos pequeninos 
brotará um canto de louvor a teu nome! (Cf. Sl 8,3). 
Por Cristo, nosso Senhor. 
Amém.

Com amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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