Vigília de oração pela paz

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

É na expectativa de um novo amanhecer que muitas pessoas e comunidades fazem vigílias pela paz, pois sabemos que, em muitos recantos dessa terra, a vida ameaçada, ainda que anônima e silenciosa, reclama insistentemente. Quem trabalha como sentinela sabe a responsabilidade que tem e aprende a ser esperto pra não cair na armadilha do inimigo, que o pretende surpreender. Quem trabalha pela justiça reconhece a noite e acredita que a luz da verdade está em curso, preparando-se para romper a escuridão mais densa das nossas evidentes e camufladas violências. Logo, as filhas e filhos da paz devem estar bem acordados, conhecer a realidade, orientar-se pela não-violência, ser astutos e orantes, ou seja, ouvintes e suplicantes, gratos e confiantes no Deus que ajuda a fazer a paz.

Para este ofício de vigília pela paz sugerimos fazer uma fogueira ao redor da qual as pessoas vão se acomodando ao chegar, ao som de músicas que evoquem saudade, sonho, esperança, desejo de um novo dia e de transformação social. O rito tem início quando entoa-se o convite para que todos os povos da terra se juntem e venham louvar a Deus, fonte, razão e senhor da paz. Segue-se a bênção da luz com o acendimento do círio pascal e de todas as demais velas, bem como a oferta perfumada do incenso. E, de maneira a evidenciar as razões que nos convocam, faz-se uma recordação da vida, onde todos são motivados a participar. Canta-se um hino que expresse tal contexto e quem preside a vigília, numa só oração, junta e entrega a Deus, em nome de Jesus Cristo, o sentido desta celebração.

Convém propiciar um espaço para que as pessoas sentem-se adequada e tranquilamente. Antes de cada salmo, que na vigília ocupa um lugar especial, o animador poderá atualizá-lo. Do contrário, a assembleia o fará de forma espontânea, conforme canta em dois coros ou alterna-se com os cantores e salmistas. Também poderá ser retomado um e outro verso, repetindo-o silenciosamente a fim de saboreá-lo melhor. Ouve-se um e outro texto bíblico e, se convier, as palavras de algum mártir ou pacifista, aos quais responde-se com um refrão meditativo apropriado. Proclama-se solenemente o evangelho e, de muitas formas, partilha-se a Palavra. Esta escuta e meditação configuram-se num diálogo que expressa e confirma a aliança de paz entre D'us e quem ele mesmo pode chamar de filho. 

Alimentados ou, certamente, inquietados pela Palavra que nos dá testemunho do que podemos fazer de nossas vidas e, principalmente, das vidas de quem necessita de nosso envolvimento e interferência, intercede-se pedindo ao Senhor que nos ajude a fazer nosso o seu sonho de paz na terra e vida em abundância. Para isso, pode-se colocar nos braços de uma grande cruz panos que lembrem os cinco continentes: vermelho (América), preto (África), verde (Oceania), amarelo (Ásia), azul (Europa). A cada pano, recorda-se o que ameaça a vida, viola os direitos humanos e impede os processos de paz, intercalando-se com um refrão de profunda súplica e uma oração pela paz naquele lugar. Canta-se um hino que expresse este desejo e faz-se uma oração que conclua esta intercessão.

A vigília segue com louvações, hinos e danças, numa bonita e festiva ação de graças, na confiança de que o reinado de Deus já se acontece entre nós. Apresenta-se e abençoa-se algum alimento, tais como frutas, bolos, pães, vinhos e sucos. Canta-se ou recita-se, compassadamente, a oração do Pai nosso, proclama-se, por exemplo, a palavra paz em várias línguas, realiza-se o abraço como gesto de reconciliação e acolhimento ao irmão e também como sacramento da paz do Senhor Jesus Cristo. Ao ser partilhado o alimento, todos comem e bebem, servindo-se uns aos outros. Para concluir esta confraternização, canta-se um hino e faz-se uma oração. Alguém entrada dançando com a bandeira da paz, podendo-se elevá-la aos quatro pontos cardeais para que sejam abençoados os que aí vivem.

Confira
GUIMARÃES, Marcelo; LIMA, Julio Cesar De. Celebraçõese orações pela paz. São Paulo: Paulinas, 2005. Coleção Liturgia no Caminho. Série Celebrações Populares. 127 p.

Um comentário:

  1. Anônimo4/9/13 23:19

    Estar Despiertos... para poder ayudarnos unos a otros, respetando nuestros derechos y reconociendo nuestras obligaciones evitando así situaciones de injusticia y dejar florecer la paz.

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