Um guia para orar pela paz

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Orar, tornando célebre os aspectos fundamentais do movimento pacifista nacional e internacional, é uma ação importante e bastante concreta a qual sustenta, reeduca e dá sentido ao notável esforço de quem, sem reservas, entrega cada gota de sua vida, bem como de seus escassos recursos, no intuito de deixar a herança e o desejo de uma convivência planetária justa para nossos filhos e para os filhos dos nossos filhos. Nesse sentido, também é um jeito de recordar e confirmar o trabalho árduo das mentes e das mãos de quem veio antes de nós, trabalho este sabotado constantemente por pessoas, organizações, sistemas e estruturas que naturalizam de tal maneira o espiral da violência que parece não haver outra perspectiva senão perpetuá-lo sem o mínimo questionamento.

Assim, a partir de vários grupos, especialmente de cristãos comprometidos com o evangelho da paz, recria-se um repertório litúrgico que visibiliza e mobiliza as mulheres e os homens de boa vontade a darem continuidade ao projeto eminentemente pacifista de Jesus de Nazaré. É o hábito, por exemplo, de realizar orações, ofícios, jejuns, vigílias e manifestações alicerçadas na teimosa esperança que não nos deixa esmorecer e nos faz perseverar na promessa de um Deus que nos enche com sua energia transformadora para que possamos criar alternativas à violência. É a valorização de gestos simples como dar as mãos e proclamar a palavra paz em várias línguas, dançar com a bandeira da paz de mão em mão, acompanhado de algum hino, tal como a utopia que se antecipou e, aos poucos, já se faz.

Nessa perspectiva, todos os mártires da caminhada, independentemente de sua tradição religiosa, as iniciativas que contribuem e as ações que ameaçam constantemente a paz, nos quatro cantos da terra, são lembrados e compreendidos como sinais da Páscoa de Jesus Cristo entre nós e também como chave de leitura para interpretar os textos sagrados como palavra de paz escrita especialmente para cada um de nós. A partir da não-violência ativa recuperam-se alguns textos bíblicos que sinalizam a urgência de uma conversão pessoal e comunitária a fim de que a paz seja um estilo e projeto de vida, um método a ser assumido e não um episódio que nos comove apenas quando sentimos ser violada a nossa dignidade e nossos direitos individuais, até porque, quando isto ocorre, pode ser tarde demais.

Sendo violentas as referências que nos orientam geográfica e historicamente, somos convocados a mudar o nome de ruas, pontes, praças e instituições de nossas cidades e de nosso país para, assim, celebrar a memória dos líderes e educadores da paz em vez de exaltar batalhas, soldados e generais. Eventualmente, conserve-se algum monumento indispensável para recordar o que não se deve fazer. Evidentemente, isso não significa, sob hipótese alguma, apagar a história, mas tão somente dar novos rumos a ela, ao nosso futuro comum. Por isso, desde a virada do ano, muitas comunidades celebram a confraternização universal, recordando em seus cultos e liturgias o mais autêntico desejo de justiça e vida em abundância para todos e no dia vinte e um de setembro, celebram o dia internacional da paz.

Para contribuir na sustentação desse movimento, elaborou-se um guia de celebrações e orações pela paz. Ele foi inspirado na espiritualidade e na mística ecumênica de pessoas, grupos, famílias, igrejas e comunidades que integram em suas vidas a busca da paz, a prática da não-violência, o respeito aos direitos humanos e o cuidado com toda a criação. Nele constam propostas para serem realizadas em diferentes contextos, tais como: ofício básico, ofício ecumênico, ofício inter-religioso, ofício de vigília, ofício de via-sacra, ofício de ação de graças e elementos para a celebração da eucaristia. Há também uma série de refrões, hinos, salmos, orações e textos sagrados de diferentes tradições, além de um calendário com datas importantes para o movimento pacifista mundial. A todos uma ótima inspiração.

Confira
GUIMARÃES, Marcelo; LIMA, Julio Cesar De. Celebrações e orações pela paz. São Paulo: Paulinas, 2005. Coleção Liturgia no Caminho. Série Celebrações Populares. 127 p.

Um comentário:

  1. gabriel henrique8/11/13 04:50

    muito bom o seu blog professor !! aqui é o Gabriel Henrique da turma 163 do auxilliadora !! esse blog me ajudou muito a estudar para as provas de ensino religioso!!

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