Carta 24 - Felizes os obreiros da paz

D. Irineu Guimarães, OSB
Tournay, 20/12/12.

A vocês todos
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

O Papa Bento XVI escolheu como tema para este 1º de janeiro de 2013, Dia Mundial da Paz, “Bem-aventurados os obreiros da paz” (Mt 5,9). Assim, quero convidar vocês a rezarem para que estas palavras do Cristo se concretizem em cada um de nós, em todos os seus seguidores, em todos que buscam a Deus e em todos os homens e mulheres de boa-vontade.

Mesmo em meio às tensões que vivemos, o Papa recorda as “as inúmeras obras de paz” que “testemunham a vocação natural da humanidade à paz”: “Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida” (nº 1). Meditando a bem-aventurança de Jesus, Bento XVI conclui “que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana” (nº 2). De um lado, “a paz implica principalmente a construção de uma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça. (...) Sem a verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se e a justiça perde a base para o seu exercício” (nº 3). Ao mesmo tempo, “para nos tornarmos autênticos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à dimensão transcendente e o diálogo constante com Deus, Pai misericordioso, pelo qual se implora a redenção que nos foi conquistada pelo seu Filho Unigênito" (nº 3). 

O Papa sinaliza três canteiros de ação para os obreiros da paz, no atual momento da humanidade. Em primeiro lugar, a promoção da vida em todas as suas dimensões: “A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida” (nº 4). Em segundo lugar, a construção do bem da paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia (nº 5). Em terceiro lugar, Bento XVI evoca a educação para uma cultura de paz, ressaltando o papel da família, das comunidades cristãs e também das instituições culturais, escolares e universitárias (nº 6). 

Finalmente, Bento XVI realça a importância de desenvolvermos uma pedagogia da paz, para “ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância”. Para isso, “é preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança” (nº 7) 

(Ver o texto na íntegra em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20121208_xlvi-world-day-peace_po.html).

Para que a estas reflexões do Papa Bento XVI sejam acolhidas por todos, utilizando as suas palavras, rezemos assim:

Ó Deus de ternura, 
teu Filho Jesus proclamou 
felizes os obreiros da paz (Mt 5,9). 
Faze de nós, seus discípulos, 
“instrumentos da sua paz, 
a fim de levar o seu amor onde há ódio, 
o seu perdão onde há ofensa, 
a verdadeira fé onde há dúvida”. 
Ilumina “os responsáveis dos povos para que, 
junto com a solicitude 
pelo justo bem-estar dos próprios concidadãos, 
garantam e defendam o dom precioso da paz”. 
Inflama “a vontade de todos para 
superarem as barreiras que dividem, 
reforçarem os vínculos da caridade mútua, 
compreenderem os outros e 
perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias, 
de tal modo que, em virtude da sua ação, 
todos os povos da terra se tornem irmãos e
floresça neles para sempre a tão suspirada paz” (nº 7). 
Amém.

Com os votos de um ano novo abençoado!

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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