Carta 19 - Hiroshima, nunca mais

D. Irineu Guimarães, OSB
Tournay, 25/07/2012. 

A vocês todos
EM BUSCA DA PAZ,
Paz!

Neste mês de agosto, celebramos o triste aniversário das bombas atômicas de Hiroshima (06/08/1945) e Nagasaki (09/08/1945), quando morreram 210 mil pessoas, ou pela explosão ou em consequência das radiações, civis em grande parte. Contudo, a tragédia de Hiroshima e Nagasaki, longe de significar o fim das armas atômicas, fez a humanidade mergulhar numa terrível e atroz corrida pelo nuclear. Hoje, ainda, com os vários tratados existentes, restam cerca de vinte mil bombas, o equivalente a 600 mil bombas como aquelas de Hiroshima e Nagasaki! Destas, cerca de 1.800 ogivas estão em estado de alerta, prontas para serem acionadas!

Assim, para que a humanidade não repita o horror e o sofrimento causados pelas armas atômicas, convido vocês a rezarem pelo desarmamento nuclear total, condição essencial de uma paz verdadeira. Assim, nos unimos às diversas manifestações mundiais nesta ocasião e somamos força à Campanha Internacional para Abolição de Armas Nucleares (http://www.icanw.org). Eis alguns argumentos utilizados nesta luta e que podem sustentar nossa oração:

Em primeiro lugar, ar armas nucleares não discriminam entre civis e militares, podendo uma única bomba, em um só golpe, devastar uma cidade ou até mesmo uma nação. Elas são particularmente perigosas, dada a possibilidade de serem disparadas acidentalmente, devido a erro técnico ou humano. A posse de armas nucleares por alguns países é um estímulo constante para que outros também procedam a esforços para possuí-las, como o ocorrido, por exemplo, com as duas Coreias, que viram na presença de armas nucleares americanas uma razão para se lançarem no nuclear. As armas nucleares constituem uma ameaça constante de aniquilação do planeta, de contaminação radioativa e de inverno nuclear, além de intensificarem a desconfiança entre as nações, gerando um clima de tensão e medo. De forma alguma, as armas nucleares garantem a paz!

As armas nucleares são caras e absorvem enormes recursos econômicos, que poderiam ser aplicados em outras áreas, como saúde e educação. Somente o gasto anual dos Estados Unidos em armas nucleares, cerca de 40 bilhões de dólares, seria o suficiente para manter o acesso universal a educação básica, cuidado médico básico, alimentação, água potável e saneamento. Em nível de segurança pública, as armas nucleares são inúteis, não podendo serem usadas contra grupos terroristas, crime organizado ou traficantes de drogas, nem tampouco num campo de batalha.

Negociações e tratados de outros sistemas de armas, como armas químicas, armas biológicas e minas terrestres, mostram como a eliminação das armas restantes é fisica e praticamente realizável. Para que isto se concretize, rezemos assim:

Ó Deus de ternura,
tu criaste o homem e a mulher
para que conduzissem a criação
pelos caminhos da vida e do crescimento.
Contudo, a humanidade afastou-se deste caminho
e passou a conceber armas terríveis, de mais em mais.
Que o Espírito do teu Filho Jesus, príncipe da paz,
ele que desarmou Pedro,
inspire governantes e nações
a se colocarem de acordo
para a eliminação das armas atômicas.
Assim, este perigo terrível se afastará de todos nós
e poderemos investir nossas energias e riquezas
na satisfação das reais necessidades humanas
e na criação de um clima de confiança entre os povos.
Por Cristo, teu Filho e nosso Senhor!


Hiroshima e Nagasaki nunca mais!
Com amizade, 


D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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