Carta 18 - Neste mês de julho

D. Irineu Guimarães, OSB
Tournay, 15/06/12.

A vocês todos
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

Neste mês de julho, convido vocês a meditar o tema “pão e paz”, rezando por todas pessoas que passam fome, cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Os dados são mais que conhecidos: a cada cinco segundos, uma criança de menos de dez anos morre de fome e cerca de 37 mil pessoas vão seguir o mesmo destino, todos os dias. Segundo dados da FAO, Organização para a Alimentação e Agricultura, das Nações Unidas, o atual estágio das forças de produção tem condições de alimentar 12 bilhões de seres humanos, com 2.200 calorias diárias! Se somos, atualmente, no mundo, 7 bilhões, por que então a fome?

Em primeiro lugar, por causa de um modelo econômico onde uma dezena de sociedades privadas controlam 85% do mercado alimentar mundial, fixando os preços e controlando os estoques. Os pobres não conseguem mais comprar seus alimentos e os programas alimentares perderam a metade do seu orçamento. Tudo isso, somado com o endividamento de numerosos países pobres, impedidos, por esta razão, de fazer os investimentos necessários ao seu desenvolvimento. A mundialização também tem seu efeito nefasto, aniquilando, em muitos países, as pequenas economias locais. Por trás do modelo econômico, há também opções políticas e sociais, como a preferência em investir em armas. Com as despesa militares mundiais de 2010, seria possível manter 212 milhões de crianças, ao custo médio de US$ 4.715,00 por ano! O dinheiro gasto para financiar um minuto da guerra no Iraque seria suficiente para suprir três refeições por dia para mais de 415 mil crianças! Gastamos cerca de 190 vezes mais dinheiro em armas do que no combate à crise de alimentos!

O que a nossa fé nos diz de tudo isso? Os profetas de Israel, cerca de 700 anos antes de Cristo já tinham bem compreendido esta relação existente entre pão e paz. Sem pão, não há paz! O pão é o sinal evidente de relações sociais justas e fraternas! A paz é fruto da justiça (Is 32,17). O salmista canta esta paz que vem do pão partilhado: “graças à justiça, que montanhas e colinas tragam a paz para o povo” (Sl 72,3). Sem paz, não há pão! Enquanto a humanidade investe suas energias na guerra e em armamentos, ela não pode aplicar em outras necessidades, como a alimentação, a saúde, a educação! Os profetas Isaías e Miqueias, cerca de 700 anos de Cristo, propunham transformar as espadas em arados e as lanças em foices (Is 2,4-5; Mi 5,9).

O Cristo veio entre nós como “pão da vida” (Jo 6,35) para “guiar nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,79). Ele multiplicou o pão (Jo 6,1-15) e nos deixou a paz (Jo 14,27). Os cristãos são chamado a continuar a obra que o Senhor começou, a trabalhar e lutar por uma sociedade de pão e paz.

Rezemos assim:

Pai Nosso, 
teu povo passa fome! 
Tu que sacias teu povo 
e o abençoa com tua paz, 
ilumina a consciência da humanidade 
para que os povos sejam desarmados 
e os famintos alimentados. 
Inspira-nos a mudar nossos modos de vida 
e corrigir os modelos de crescimento 
que parecem incapazes de garantir 
o respeito pelo meio ambiente, 
um desenvolvimento humano integral 
e a paz entre as nações. 
Que nós possamos dar aos pobres do mundo, 
comida e não bombas. 
Assim cumpriremos a lei do Cristo, 
teu filho e nosso Senhor!

Com amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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