Carta 16 - No dia quinze de maio

Tournay, 30/04/12.

Queridos amigos e amigas 
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

No dia 15 de maio, muitos grupos e organizações pacifistas celebram o Dia Mundial da Objeção de Consciência. Em geral, a objeção de consciência se aplica ao serviço militar ou à participação em guerras, mas pode ser aplicada a outros casos, como, por exemplo, como Martin Luther King que se recusou a obedecer as leis que segregavam os negros americanos. A objeção de consciência é um direito que as pessoas possuem de recusar “em consciência a seguir as prescrições das autoridades civis se forem contrárias às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2242). Leis injustas colocam as pessoas diante de problemas dramáticos de consciência: quando são chamados a colaborar em ações moralmente más, têm a obrigação de recusar. Além de ser um dever moral, a objeção de consciência é também um direito humano fundamental.

O cristianismo muito contribuiu para o desenvolvimento deste princípios com sua visão de liberdade e consciência. No livro dos Atos dos Apóstolos, as autoridades religiosas proíbem aos apóstolos de anunciar o nome de Jesus Ressuscitado. Questionados porque não acatavam essa determinação, eles responderam: “Importa obedecer mais a Deus do que aos homens” (At 4,19).

O desenrolar da história da Igreja oferece muitos exemplos de objetores de consciência. O padroeiro dos objetores é São Maximiliano, martirizado em 295, em Teveste, África do Norte, com a idade de 21 anos, por causa de sua recusa em fazer o serviço militar. Durante o processo, ele afirmou: “Eu não posso servir, eu não posso fazer mal, pois eu sou cristão”. E acrescentou: “Eu sirvo ao Cristo, pois ele é o príncipe da vida, o autor da salvação”. Lactâncio (+325), escritor cristão também da África do Norte, afirmava o absoluto da ordem divina de não matar: “Quando Deus proíbe de matar, ele não proíbe somente o assalto, ilícito mesmo para as leis do Estado, mas ele nos convida mesmo a não fazer os que os homens tem por lícito. É por isso que o justo não pode ser soldado, pois o serviço militar do justo é a justiça mesma” (Cf. Instituições Divinas, VI,20,15). De exemplos recentes, temos o testemunho de Franz Jägerstätter, beatificado em 2007. Pai de três filhas, ele se recusou a servir o exército nazista por razões de sua fé cristã. Preso, foi condenado à morte e decapitado em 9 de agosto de 1943: ele é um dos testemunhos contemporâneos desta força da consciência.

Fora dos círculos cristãos, temos muitos exemplos de objetores de consciência que se recusam a fazer o serviço militar, arcando com a prisão a consequência de suas decisões. Também é conhecido o movimento Yesh Gvul (“Há um limite”), reunindo pessoas que recusam de servir ao exército israelense ou mesmo soldados que não aceitam participar de atos repressivos. Muitos oficiais israelenses foram presos porque não aceitaram participar de ações militares repressivas.

No mês passado, rezamos pelo desarmamento: nenhum centavo para a guerra! Este mês rezamos pelos objetores: nenhuma pessoa para a guera! Nesta intenção, rezemos assim:

“Ó Deus 
de toda paz, 
tu criaste o homem e a mulher 
à tua imagem e semelhança: 
no santuário da consciência de cada pessoa humana, 
tu te fazes presente e tu nos conduzes 
a seguir na trilha dos teus mandamentos. 
Nós te pedimos por todos aqueles que,
fiéis à teu mandamento de “não matar”, 
recusam à colaborar com toda violência, 
sendo por isto sancionados pela sociedade. 
Que eles permaneçam firmes na fidelidade às tuas leis. 
Que a força desta profecia inspire a humanidade
a concretizar a visão do profeta Isaías: 
“Ninguém mais será treinado para a guerra!” (Cf. Is 2,4). 
Por Cristo, Senhor nosso.”
Amém.

Com amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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