Carta 15 - O presidente

Tournay, 31/03/12.

Queridos amigos e amigas 
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

O Presidente dos Estados Unidos, prêmio Nobel da paz 2009, chamou a atenção do mundo inteiro ao anunciar, no dia 5 de janeiro passado, a retirada dos exércitos americanos do Iraque e a redução do orçamento militar do seu país, com um corte de 450 bilhões de dólares para os próximos dez anos.

Na verdade, a redução dos gastos militares tem sido um grande clamor mundial diante do crescimento deste índice. Este ano, o dia 17 de abril foi escolhido como “Dia Mundial de Ação Contra Gastos Militares”. Assim convido a vocês a rezar pela redução dos orçamentos militares, para que se concretize a profecia de Isaías, “as espadas serão transformadas em arados e as lanças em foices” (Is 2,4).

Segundo os dados do SIPRI, Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisas de Paz, em 2010, os orçamentos militares e despesas com armamentos foram de cerca U$ 1.681.000.000.000,00! Em números absolutos, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar, com despesas de 1.464 bilhões de dólares anuais, correspondendo a 41,5% do orçamento mundial. Segue a China, com 84,9 bilhões de dólares e 5,8% das despesas mundiais. Em terceiro lugar, a França com 65,7 bilhões de dólares e 4,5% das despesas do mundo. Em quarto lugar, o Reino Unido (65,3 bilhões e 4,5%); em quinto, a Rússia (58,6 bilhões e 4%). O Brasil ocupa a 13ª posição, com despesas anuais de 25,3 bilhões de dólares e 2% dos gastos mundiais.

Numa lista de 172 países (www.indexmundi.com/g/r.aspx?v=132&1=pt), comparando a relação entre o orçamento militar e porcentagem do PIB, os dez primeiros são: Omã (11,4), Catar (10,0), Arábia Saudita (10,0), Iraque (8,6), Jordânia (8,9), Israel (7,3), Iêmen (6,6), Eritreia (6,3), Macedônia (6,0) e Síria (5,9). Em último lugar está a Islândia, com 0% de gastos! Os Estados Unidos ocupam a 24ª posição (4,0%); a França, a 55ª posição (2,6) e o Brasil a 89ª posição, com 1,7%.

A cada dólar investido no social, o mundo gasta dois mil dólares em armas, numa desproporção não somente escandalosa, como aviltante. Segundo especialistas, os investimentos de apenas dois meses em gastos militares seria necessários para atender as necessidades básicas de saúde e educação de todo o mundo. Por que gastamos tanto dinheiro em armas? Porque áreas essenciais como educação e saúde são relegadas em detrimento de um investimento militar?

Assim tocamos num dos aspectos mais complexos nos debates da paz, sua dimensão político-econômica. Considerando a crise que ameaça o planeta nas suas diversas dimensões (econômica, ecológica, sanitária, etc.), faz-se necessário assegurar a destinação dos meios financeiros para as necessidades humanas, como a alimentação e não o desenvolvimento do complexo militar-industrial. Já são várias as organizações que apoiam este ponto de vista. Mas a redução dos orçamentos militares não se fará se não houver uma pressão internacional visível e exigente. 

Asseguremos com nossa prece este movimento, rezando assim:

“Vinde ver, 
contemplai os prodígios de Deus 
e a obra estupenda que fez no universo: 
reprime as guerras na face da terra, 
ele quebra os arcos, as lanças destrói, 
e queima no fogo os escudos e as armas” (Sl 45,9-10). 
Ó Deus de paz, manifesta tua força entre nós 
e concretiza esta prece do salmista. 
Inspira a humanidade a reduzir seus gastos com armas 
e a investir mais nas necessidades de todos os seres humanos,
teus filhos amados, criados à tua imagem e semelhança. 
Por Cristo, Senhor nosso.
Amém.

Com amizade e os votos de uma santa e feliz Páscoa da Ressurreição,

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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