Carta 07 - Há alguns dias

Tournay, 30/06/11.

Queridos amigos e amigas
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

Há alguns dias, na noite de 25 à 26 de junho, a ACAT – Ação dos cristãos contra a tortura – promoveu a “Noite dos Vigilantes”, por ocasião do Dia Mundial das Nações Unidas de Solidariedade às Vítimas da Tortura. Estimou-se cerca de dez mil pessoas em oração, em cerca de trinta países, meditando uma palavra do profeta Isaías: “Tu vales muito a meus olhos” (Is 43,4).

Motivado por este acontecimento, proponho que assumamos esta intenção para nossa oração mensal pela paz, continuando esta bela iniciativa. Mesmo que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu artigo 5, tenha proclamado “ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”, nós sabemos como a prática da tortura é ainda difundida. Dos 189 membros da ONU, apenas 129 são membros da Convenção contra a Tortura de 10 de dezembro de 1984. E dos que fazem parte, muitos ainda não tomaram as medidas necessárias para garantir plenamente sua aplicação, permanecendo passivos face à prática da tortura.

Os direitos humanos são base e fundamento da paz. E enquanto alguém tiver seu corpo torturado ou exposto a um castigo cruel ou degradante, mesmo que não existam mais guerras, não poderemos dizer que vivemos em paz. Nada pode justificar a tortura. A tortura, sobre qualquer forma, desconhece o valor inalienável da pessoa humana.

O Cristo mesmo foi torturado longamente: o que é a cruz senão um instrumento de suplício? E se a veneramos como sinal de vitória sobre a morte, é justamente para que ninguém mais sofra tais atrocidades. O sinal da cruz que cotidianamente fazemos manifesta a nossa fé: fé num Deus que ama o ser humano, fé num Deus que é capaz de perdoar seus algozes, fé num Deus que revela a inalienável dignidade humana. Cada vez que traçamos a cruz de Cristo sobre nós ou nos reunimos em torno da cruz, reconhecemos o valor de cada vida humana aos olhos de Deus e nos comprometemos por um mundo justo, onde os direitos humanos são reconhecidos e praticados.

Rezemos, então, pelas vítimas da tortura: para que Deus lhes dê a força de não sucumbir e a graça de se reconstruir. Rezemos pelos algozes: para que tomem consciência de suas ações e mudem de vida. Rezemos pelos governantes: para que tomem medidas concretas para erradicarem a tortura. Rezemos pela sociedade; para que mantenha os olhos abertos e se sensibilize. Rezemos pelos defensores dos direitos humanos: para que não esmoreçam. Rezemos pela humanidade, para que possa descobrir o que Deus já descobriu: cada vida humana vale muito! Rezemos, então, assim:

Ó Deus da paz, 
tu cuidas das aves do céu 
e dos lírios do campo. 
Para ti, a vida de cada ser humano tem muito valor. 
Nós te pedimos a graça de descobrirmos 
esta inalienável dignidade de cada ser humano. 
Ajuda-nos a construir um mundo 
onde ninguém seja mais torturado ou submetido 
a um castigo cruel e degradante. 
Arranca de nossos olhos a indiferença 
e torna-nos solidários às vítimas da tortura: 
unidos possamos continuar 
a obra do teu filho Jesus, 
que sofreu a tortura 
para que ninguém mais a sofresse.
Isto te pedimos, por Ele, 
teu Filho e nosso Senhor,
na unidade do Espírito Santo. 
Amém!

Com toda minha amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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