Carta 04 - No final do mês de abril

Tournay, 31/03/11.

Queridos amigos e amigas
EM BUSCA DA PAZ,

Paz!

No final deste mês de abril, celebraremos, mais uma vez, a festa das festas: a Santa Páscoa. Muitos de nós participaremos da solene vigília pascal e seremos tocados pelo encanto desta celebração. Centro e cume de toda liturgia cristã, esta celebração se apresenta a cada ano como um tempo onde somos convidados a nos renovar pela energia da Páscoa do Cristo.

Certamente muitos de vocês poderão se colocar a pergunta: o que é a Páscoa de Cristo? Uma resposta possível pode ser encontrada na carta de São Paulo à comunidade de Cristo, onde o apóstolo das nações assim descreve a obra pascal do Cristo: “Ele é nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. Em sua carne destruiu o muro de separação, o ódio. (…) Ele quis assim, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz, e reconciliá-lo com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz, onde ele matou o ódio” (Ef 2,14-16). O Evangelho de São João segue esta mesma linha quando coloca como primeira palavra do Ressuscitado, “A paz esteja com vocês!” (Jo 20,19.21). Repetindo-a, certamente o Cristo quer nos dizer da centralidade da paz no anúncio do Evangelho. Os Atos dos Apóstolos e o mesmo Paulo utilizam também a expressão “evangelho da paz” (At 10,36; Ef 6,15) como para dizerem que a paz resume todo o evangelho.

Assim, renovando nesta a Páscoa o engajamento de cada um pela causa da paz – sempre em busca da paz! –, quero convidar vocês a rezar para que os cristãos, num mundo de tantas violências, possam cada vez mais testemunhar a paz.

O Pe. Joseph Comblin, missionário belga no Brasil, falecido neste mês de março, na sua importante obra “Teologia da Paz” afirma que o “Evangelho da Paz de Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, revelação, missão, profecia e sabedoria” (Théologie de la paix, vol. II, p. 281). Assim ele sintetizou que a paz nos é dada como um dom de Deus a ser vivido por cada cristão, a partir do batismo, mas também para ser anunciada e concretizada no mundo. A construção da paz não é uma alternativa que os cristãos podem ou não escolher. Ela é uma exigência de nossa fé! Como os bispos católicos dos Estados Unidos afirmaram em 1983: “somos chamados a ser construtores da paz, não por influência de alguma força passageira, mas sob a de Nosso Senhor”. É o Cristo que nos faz viver a paz como uma realidade que nos transfigura, mas também colocar a seu serviço nossa inteira vida cristã: nossa oração, nossa fé proclamada, nosso engajamento. Assim, podemos exercer uma verdadeira “diaconia”, serviço, pela paz do mundo, também por nossas profissões, decisões éticas e engajamento político. Rezemos, então, assim :

Ó Deus da Vida, 
que renovas pela Páscoa do Cristo
 a vida de cada um de nós e de todo o universo.
Nós te pedimos por todos os batizados 
para que possam viver interiormente 
e anunciar ao mundo o Evangelho da Paz. 
Que todos nós possamos participar plenamente 
desta missão de anunciar a paz. 
Dá-nos convicção, coragem, criatividade e energia 
para que mostremos com nossas obras 
que o Cristo não morreu em vão por nós 
e que a força de sua Ressurreição 
purifica e transforma nossa vida. 
Isto te pedimos por Ele, o Cristo Ressuscitado, 
Deus contigo na unidade do Espírito Santo. 
Amém.

Feliz Páscoa!
Com toda minha estima e amizade,

D. Irineu Rezende Guimarães, OSB
monge beneditino, prior da Abadia Nossa Senhora, Tournay, França

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