Para recuperar a sensibilidade

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Dois agentes de trânsito estiveram na escola. E, pra começo de conversa, apresentaram-nos um vídeo. As cenas eram reais. Para mim eram chocantes. Porém, mais chocado fiquei diante das gargalhadas que os estudantes davam vendo cenas de atropelamentos, de carros capotando, de motoqueiros e ciclistas se espatifando. É evidente que uma (re)educação deve passar pela sensibilização. Contudo, há de se ter o cuidado para que a realidade não se torne mais banal do que já é. Ainda mais se levarmos em conta os dez anos de idade daquelas crianças. O vídeo, sem dúvida, estava fora de contexto. Apesar disso, as enlouquecidas gargalhadas foram acidentais ou as crianças já estão acostumadas à barbárie? Quaisquer que sejam as respostas, dois desafios interpelam: a urgência de intensificar sistematicamente a (re)educação no trânsito e a recuperação da sensibilidade das novas gerações, que já não sabem mais distinguir entre a realidade fatal e a realidade virtual. Afinal, todos os dias, cenas igualmente trágicas são apreciadas na televisão, no jornal, no cinema e nos videogames. O que fizemos diante da histeria que presenciávamos? Intervimos imediatamente. A contragosto dos agentes, paramos o vídeo. Sem xingamentos, retomamos a proposta do trabalho e as atitudes diante do que era apresentado. Pedimos para que as crianças revissem cada cena, pensando na vida da gente, como se alguém conhecido ou elas mesmas estivessem ali presentes. Um outro olhar foi sugerido. O vídeo recomeçou e as atitudes foram diferentes. Entretanto, tudo foi resolvido?

Um comentário:

  1. Certamente nem tudo foi resolvido. Mas acredito que é nesses momentos que se educa. A partir de um momento que poderia passar despercebido, parar e refletir o acontecido.

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