Texto sagrado grego

Deméter é a deusa da terra cultivada. Foi a primeira a usar o arado e fazer a terra produzir. Tinha, com Zeus, uma filha chamada Perséfone, que haveria de se unir ao soberano rei dos mortos. Desejando que também o deus dos Infernos, Hades, se submetesse ao poder do amor, Afrodite pediu ao filho Cupido que o transpassasse com uma de suas setas, provocando nele o desejo. Cupido assim o fez.

Perséfone, em companhia de amigas, colhia violetas e lírios brancos em meio a um bosque. Eis que Hades a viu, depois de ter sido ferido de amor, e, tomado de desejo por aquela moça, resolveu raptá-la e levá-la para seu reino sob a terra. Precipitou-se sobre a moça. Aterrorizada, Perséfone gritou em vão pela mãe e pelas companheiras. Mas o deus a colocou em seu carro puxado por cavalos e partiu em disparada.

Quando soube do ocorrido com sua filha, Deméter sentiu terrível dor. Correu o mundo à sua procura sem conseguir encontrá-la. Enquanto peregrinava, abandonando o cultivo da terra, o solo foi ficando estéril e seco, impossibilitando aos homens tirar do chão o alimento. Mas, finalmente, com seu carro, Deméter partiu em direção às regiões celestiais. Foi queixar-se a Zeus: “Venho pedir por uma filha que tem meu sangue e o teu, ó Zeus. Ela não merece ter por marido um bandido.” Ao que Zeus respondeu: “Concederei que Perséfone volte dos Infernos, desde que ela não tenha tocado em nenhum alimento lá embaixo.”

Perséfone, porém, já havia provado de uma romã. Mas a justiça de Zeus decidiu contentar a mãe aflita, na medida do possível. Assim, decidiu que Perséfone passaria uma parte do ano com Deméter e outra parte do ano com Hades, nas profundezas do reino subterrâneo. Quando tem a filha consigo, Deméter se alegra, é primavera, e a terra renasce exuberante; as árvores voltam a produzir folhas e frutos. Quando a moça se retira para junto do marido, é inverno, e a natureza parece morrer, sem poder oferecer aos homens os dons do cultivo.

Fonte
VASCONCELLOS, Paulo Sérgio de. Mitologia Grega. São Paulo: Objetivo, 1998. p. 109.

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