Wikipedia: uma ferramenta possível

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Wiki, em havaiano, significa rápido. Na informática, refere-se a um programa usado para edição coletiva e instantânea de documentos. Exemplo disso é a Wikipédia. Esta Enciclopédia Livre é um dos wikis mais conhecidos em todo o mundo. No entanto, o fato de qualquer pessoa, especialista ou não, poder editar seu conteúdo é motivo de inúmeras críticas. Alguns afirmam que os assuntos são abordados de forma a concordar com o senso comum e não com a realidade dos fatos. Outros dizem que qualquer vândalo pode substituir o conteúdo dos artigos e permanecer no anonimato. Ainda há quem não dê a devida credibilidade ao programa por desconfiar de tudo que é construído coletivamente e quem reproduza tais discursos, sem qualquer senso crítico.

De fato, seria ingenuidade ignorar tais argumentos. Contudo, devemos estar atentos para a confiabilidade de todo e qualquer conteúdo impresso ou eletrônico. Um livro, artigo ou reportagem publicados em quaisquer mídias não é, necessariamente, sinônimo de conteúdo acima de qualquer suspeita. Não se pode assimilar tudo o que se lê, ouve ou vê como verdade absoluta. Qualquer informação é parcial. É uma versão ou interpretação de quem a transmite. Os artigos da Enciclopédia Livre, às vezes, podem até ser uma colcha de retalhos e correr todos os riscos já citados. Mas, o que são muitos livros e apostilas didáticas feitos por uma ou duas mãos, senão isto? Qualquer subsídio pode apresentar equívocos. É preciso ter cuidado, sim. Mas com toda e qualquer fonte de pesquisa.

Nossa sociedade costuma preferir o que é produzido individualmente, em detrimento ao que é produzido coletivamente. Mas, por que o público e coletivo gera desconfiança? Talvez, porque ainda não conheçamos referências sólidas ou porque tais práticas contrariam interesses individualistas. Artigos acadêmicos, na maioria das vezes, passam pelo sério crivo de dois ou três especialistas. Uma enciclopédia coletiva, por sua vez, passa, igualmente, pelo crivo de milhares de pessoas e, porque não dizer, pelo crivo de dezenas de especialistas. E essa é a intenção. Muitos pesquisadores se acham acima de equívocos. E seu trabalho precisa ser respeitado. Afinal, julga-se que o levem a sério. Mas, nem por isso precisamos repudiar a redescoberta moderna de construir conhecimento a muitas mãos.

Diante das múltiplas possibilidades de comunicação e interação com o conhecimento produzido e acumulado pela humanidade, principalmente em sala de aula, deve-se contar com o mais perspicaz acompanhamento pedagógico. Afinal, não dá para percorrer uma trilha tirando todas as pedras, fechando todos os buracos e escondendo todas as encruzilhadas que poderão dificultar ou tardar o caminhar. Caberá, então, ao professor que educa sinalizar critérios e cuidados, ensinando seus estudantes a detectarem e a não caírem em nenhuma armadilha. De modo que aprender a esperteza de andar configura-se mais necessário que, simplesmente, chegar ao destino só para dizer que chegou. Até porque, sempre haverá algum aventureiro que desejará desbravar o seu próprio caminho.

Faria, então, algum sentido considerar uma enciclopédia tradicional e estática mais confiável que uma enciclopédia virtual e em constante atualização? Afinal, vivemos uma nova era. Segundo Heloisa Lück, uma ferramenta rápida e gratuita tal como é a Wikipedia, além de ser um bom exercício global de produção e síntese de conhecimento é um necessário exercício de autonomia e responsabilidade. E, tal como todos os processos, este também é cheio de riscos, embora potencialmente promissor. Por isso, uso e recomendo este recurso. Dentre tantas, ela é mais uma ferramenta. E, definitivamente, não deve ser a única. Mesmo porque, a ninguém é aconselhável confiar em uma única fonte de pesquisa. Então, porque não começar ou concluir um estudo ou pesquisa dando uma olhadinha na Wikipédia?

Referências
WIKIPEDIA. Wiki. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia. Acesso: 11 abr. 2011.
LUCK, Heloisa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis: Vozes, 2006.

2 comentários:

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