Quando se entende o processo

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Penso que os recursos utilizados nas aulas de Ensino Religioso, bem como em qualquer outro componente curricular, devem servir para instigar, resgatar e sistematizar o conhecimento que, aos poucos, vai sendo construído pelas próprias crianças, adolescentes e jovens, com a mediação do professor, tendo em vista a eficácia de uma construção reflexiva permanente. Por isso, um dia, considerei o registro sistematizado do conhecimento religioso um dos recursos mais eficazes de minha ação educativa. Entretanto, o tempo passou e, por falta de apoio e incentivo, por ver o quanto isto incomodava demais, esta prática foi ficando pra trás. De maneira que ao final de um ano de estudos naquela perspectiva, o André, adolescente de catorze anos, escreveu-me:

O professor tem uma metodologia peculiar para suas aulas: a organização das classes é feita em forma de um quadrado em volta da sala, para que todos nós, alunos, possamos enxergar uns aos outros. O professor fica no centro da sala explicando a matéria (a explicação normalmente é feita através de uma conversa, para que nós possamos participar oralmente, dando nossas opiniões, partilhando histórias pessoais que tenham a ver com o assunto, fazendo perguntas, etc.). É muito rara uma ocasião em que o Julio escreva no quadro, pois a idéia é que a turma vá escrevendo as partes mais importantes da conversa. Durante as conversas nas aulas, surgem em nós muitas idéias a respeito do conteúdo e, com isso, surgem muitas dúvidas. Por isso, pergunta-se muito durante os períodos de Educação Religiosa. O professor sempre deixou bem claro que era muito importante que perguntássemos quando surgissem as dúvidas, pois isso demonstrava interesse no assunto. É bom lembrar, também, que nem sempre as aulas são de explicação de conteúdo. Muitas vezes, as aulas são dedicadas à entrega de alguns de nossos registros. Nessas ocasiões, normalmente vemos com nossos colegas como podemos melhorá-los. Se o contexto do aluno ‘A’ não está bom, por exemplo, ele lerá o contexto do aluno ‘B’, que desenvolveu bem esse parágrafo, para ver em que aspectos pode-se melhorá-lo. Em outra ocasião, quando as provas do 3º bimestre foram entregues nós, alunos, nos reunimos em pequenos grupos de pessoas com notas similares, para que refizéssemos as questões que erramos e para que discutíssemos a respeito. André Pífero.

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