Oblação monástica beneditina

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

A palavra oblação deriva da língua latina e significa oferecimento, de modo que oblatus é o mesmo que 'oferecido'.[1] Na liturgia, compreende-se por oblação desde a entrega de um alimento à entrega da vida de uma pessoa, quando estes são apresentados e consagrados a Deus. A Regra Beneditina, por sua vez, refere-se às crianças que, por diversos motivos, eram levadas por seus pais aos mosteiros onde, via de regra, aderiam à vida monástica. [2] Exemplos disso são os santos Mauro, também conhecido por Amaro, filho único de Júlia e Eutíquio, um senador romano, e seu primo Plácido. Tendo doze e sete anos de idade, respectivamente, ambos foram levados ao Mosteiro de Subiaco e entregues aos cuidados de São Bento para que ali pudessem concluir seus estudos.[3]

Com o tempo, a oblação passou a designar os fiéis que, movidos pelo ardente desejo de viver mais plena e autenticamente o seguimento de Jesus Cristo, achegavam-se a determinado mosteiro de um modo estável.[4] No Século VII, por exemplo, os registros da Abadia de Lérins, na França, já fazem alusão à presença de leigos no mosteiro. Nos séculos X e XI, em Cluny, Santo Ulric assim escreve: “Há muitos cristãos que necessitam viver em comunhão fraterna conosco; concede-se a eles uma parte de todo o bem que se faz no mosteiro, trate-se de orações ou de esmolas. Reza-se por eles de uma maneira particular durante sua vida e após sua morte.” [5] Desde então, os oblatos buscam viver conforme a Regra de São Bento e, na medida do possível, acompanham o ritmo da vida do mosteiro.

O monge, por definição e, antes de mais nada, é um ser que procura Deus. Madre Paula Ramos, OSB, abadessa do Mosteiro da Santíssima Trindade, situado em Santa Cruz do Sul, assim define a vida monástica: "Nós buscamos unificar a nossa vida e torná-la simples e livre das amarras do ter, do poder e do prazer. Através deste caminho de simplicidade, desejamos alcançar, com toda a consciência, como fim último, a vida plena e eterna, vivida desde agora na harmonia, na reconciliação e na felicidade, que se resume na Paz em Deus. Procuramos evangelizar o continente que somos, cada uma de nós, para participarmos da grande obra de construção do Reino de Deus."[6] Portanto, os filhos de São Bento buscam perseverar na pureza interior e na dignidade visível[7] em cada passo do seu dia.

O oblato, por sua vez, é a pessoa que vive uma espiritualidade monástica cujo carisma também resume-se em orar, trabalhar e promover a paz. Como beneditino que é, não deixará de imprimir em sua vida, principalmente, o amor à liturgia e a piedade cristocêntrica e trinitária. Outras práticas como a vida comunitária, o espírito de família, o zelo fraterno, a humildade, a leitura freqüente e assídua e o silêncio contribuem eficazmente nessa busca por unificação. Mais que pela conversão dos outros, o oblato, tal qual os próprios monges, trabalha diariamente na própria conversão. Ele ama e imita a Cristo, perseverando na escola do serviço divino até a morte. [8] Entretanto, diferentemente dos monges e monjas, o oblato entrega-se mundo a fora, nas condições particulares de sua vida secular.

A oblação monástica beneditina implica um engajamento recíproco entre oblatos e monges, contrato do qual resulta um pertencer mútuo, na obediência a uma única Regra de vida. Por isso, oblato é mais que um amigo do mosteiro. Ele torna-se irmão dos monges e faz-se testemunha do espírito da Santa Regra em qualquer tempo e lugar onde estiver. Esta promessa está claramente expressa no ritual de recepção, quando a comunidade declara:"Nós vos acolhemos em nossa comunhão fraterna e vos permitimos participar de todas as boas obras que se realizam, com a ajuda do Espírito Santo, neste mosteiro". Contudo, embora membro de uma determinada comunidade monástica, os deveres recíprocos entre os mosteiros e seus respectivos oblatos são bem mais de amor fraterno que jurídicos.

Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil
51 9914 1456 ou 51 9917 1770

Notas e referências
[1] Cf. DICIONÁRIOS ACADÊMICOS. Latim-Português/Português-Latim. Porto: Porto Editora, 2012.
[2] Cf. REGRA DE SÃO BENTO. Salvador: Bahia, 1958. Cap 59
[3] Cf. VIDA DE SANTO AMARO. Santo Amaro. Acesso em: 16.11.13.
[4] Cf. ESTATUTO DOS OBLATOS SECULARES DA CONGREGAÇÃO BENEDITINA NO BRASIL. Oblatos SecularesAcesso em: 16.11.13.
[5] Cf. GUILMARD, Jean; BETTENCOURT, Estêvão T.; BRASÓ, Gabriel. Os oblatos seculares na família beneditina. Juiz de Fora: Subiaco, 2007.
[6] Cf. RAMOS, Me. Paula. Mosteiro Beneditino da Santíssima Trindade. Acesso em 16.11.13.
[7] Cf. REGRA DE SÃO BENTO. Salvador: Bahia, 1958. Cap. 64
[8] Cf. GUILMARD, Jean; BETTENCOURT, Estêvão T.; BRASÓ, Gabriel. Os oblatos seculares na família beneditina. Juiz de Fora: Subiaco, 2007.

Um comentário:

  1. Caro irmão e amigo Júlio(entre nós irmão pascoal)gostei muito do seu blog.mas entrei também para lembrar que rezamos hoje por vocên nesse dia tão importante,QUE DEUS TE ABENÇÕE E ATENDA AOS DESEJOS QUE VOCÊ TRAZ NO MAIS PROFUNDO DO SEU CORAÇÃO. FOI ASSIM A NOSSA ORAÇÃO HOJE POR VOCÊ. UM GRANDE ABRAÇO DE SUAS IRMÃS EM CRISTO.
    IR ANDRÉA

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