O que esperar de mim e de todos

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

O que esperar das pessoas, da vida e do tempo que vem? Nada mais do que ainda espero de mim. Que sejamos livres, responsáveis, corajosos, engajados e felizes. Que possamos dar o sentido mais lindo a nossa efêmera e frágil existência. Que possamos brincar, trabalhar, falar coisas sérias e gargalhar amenidades. Que saibamos agregar o conflito a nossos processos a fim de fortalecer a democracia e o crescimento mútuo em todas as suas dimensões. Que saibamos nos reconhecer como seres transformadores e em transformação. Que possamos integrar nossas luzes e sombras, retirando nossas máscaras e revisando nossos inúmeros preconceitos em vista de sua superação. Que tenhamos consciência. Inclusive aquela que não precisamos ter.

Que nossa alma seja imoral e transgressora. Até porque o nosso corpo já está sob o fardo das morais. Assim, viveremos uma espiritualidade liberta e libertadora. E garantiremos a transcendência tanto quanto a sobrevivência. Que saibamos cuidar do corpo, do planeta e uns dos outros. Que sejamos muitos e diversos, mas que a dignidade prevaleça. Que possamos ir e voltar sem medos e sem violências. Que todo o injusto seja desvelado. Que a justiça aconteça e cante elogios a si mesma. Que venha a verdade venha às claras. Ou seriam as verdades? Que nos convertamos todo dia. Que nos reeduquemos, ensaiemos ócio, solidariedade, não-violência e pacifismo. Que o valor inalienável de qualquer vida seja radicalmente considerado. E que esta seja a opção e o estilo das nossa vida.

Que possamos respirar e voar pelos ares, mergulhar, purificar-nos e refrescar-nos nas águas que não secaram, andar e desfrutar das delícias de uma terra sem cercas e sem porteira alguma. Que o estresse e a depressão sejam condenados. Que o trabalhador ganhe o que lhe é justo, mais pelo que é do que por aquilo que produz. Que os movimentos sociais continuem fazendo a diferença contra toda manipulação, mas que sejam coerentes e também assumam a autocrítica como bandeira para não fazerem o que condenam nos outros. Que nos reconheçamos igualmente humanos em busca de nossa causa primeira e de nossa verdade última: o divino que mora em nós, mas prefere andar solto por aí. E que nossa tradições sejam pontífices. Nada mais que fazedoras de pontes para quem equiser passar.

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