O desafio de juntar os fragmentos

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Considerando o processo vivido ao longo desses anos, houve um tempo para sonhar, querer e semear. Um tempo para buscar e aprender. Tempo para crescer no corpo, na alma e nas relações, amadurecendo a certeza de cada conquista. Hoje, ao concluir o Ensino Médio, a maioria de vocês, não tenho dúvidas, tem condições de olhar para trás e compreender as experiências que seus educadores lhes proporcionaram, sejam elas quais forem, das mais agradáveis àquelas que foram consideradas amargas. E, muito me alegra saber que tais experiências foram ganhando sentido, dos acertos aos equívocos. Abram os olhos e os ouvidos, abram a mente quem, ainda, não compreendeu ou não quer reconhecer e assimilar as coisas que experimentou.

Todos nos deparamos com a complexidade própria desses nossos tempos, das relações interpessoais aos processos educacionais, da diversidade de caminhos à confusão de papéis. Contudo, nós educadores, não podemos negligenciar ou corromper, sob hipótese alguma, o inalienável compromisso de educar. Pois, aprender a pensar e a repensar pode ser dolorido, ainda que desafiados com todo o cuidado do mundo. Aprender a arte de se relacionar, falando e escutando, cedendo e reivindicando, elogiando e criticando, errando e acertando dói. Não há dúvida, formar pessoas eticamente comprometidas, às vezes pode doer demais. E quando nos dispomos a isso, barreiras de todos os lados costumam se erguer, inclusive de onde menos esperaríamos, isto é, da própria escola.

Tanto família quanto escola, todos dizem querer formar cidadãos livres para pensar, dispostos a amar, felizes e bem sucedidos, que passem nos exames seletivos e nos concursos mais disputados que quiserem passar. No entanto, algumas pessoas não querem assumir o ônus dessa missão. Pois, este, certamente, não será um processo somente de levezas, risos, prazeres e fluidez. Será também um processo de esforços, disciplinas, enfrentamentos e possíveis lágrimas. Cabe-nos, então, proporcionar o exercício do desafio. Pequenos ou grandes? Obstáculos ou degraus? Tudo dependerá da forma como cada um encara a vida. Pois, toda grande vitória é o resultado de pequenas ações. É o resultado da força de muitas mãos. É o resultado de pessoas que se empenham paciente e corajosamente.

Paulo, um dos apóstolos de Jesus de Nazaré, há dois mil anos, escreveu a quem morava em Corinto, na Grécia, alertando-lhes que na hora a gente vê de maneira confusa, distorcida e fragmentada. De modo que é preciso superar toda a fragmentação, juntar os pedaços e os cacos para montar o quebra-cabeça e, assim, ter a noção da inteireza dos processos. Por isso, não há problema algum quando vocês compreendem algumas coisas somente mais tarde, conforme o tempo vai passando. Afinal, nem sempre essas coisas são tão óbvias e nem simples de vivê-las. Mas, seus educadores, isto é, pais e mães, professores, coordenadores, orientadores e diretores devem ter a responsabilidade e a clareza de onde queremos chegar. E deixar chegar. Sem atrapalhar, impedir ou corromper tais processos.

Sim, hoje, vocês vivem outro tempo. Tempo de despedidas e partidas. Tempo de decisões em vista de buscas cada vez mais autônomas. Tempo de recomeçar a caminhada, de acreditar nas próprias forças para, cada vez mais, tornarem-se os melhores que puderem ser. Vocês estão ganhando o mundo. E, hoje, é dia de festejar. Dia de comemorar o resultado das energias empreendidas não só ao longo deste ano, mas ao longo de todo o Ensino Fundamental e Médio. E sempre vale a pena acumular vitórias, mesmo que silenciosas, vale a pena acumular sucessos que podem ser pequenos na aparência, mas carregados de um sentido que transcende toda e qualquer racionalidade. Por isso, felicidade e muitas boas realizações é o que desejamos. E não esqueçam, de voltar para nos contar.

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