Cidadãos do presente, não do futuro

Por Julio Cesar De Lima
(Ir. Pascal, Obl. OSB)

Não raro ouvimos e repetimos o discurso de que as crianças são o futuro do país ou que os adolescentes e jovens são os cidadãos do amanhã. Desafiando-nos a uma urgente mudança de paradigma, Dom Irineu Guimarães, monge beneditino e primeiro doutor em Educação para a Paz, no Brasil, traz à tona a questão do empoderamento juvenil em seu livro Cidadãos do presente: crianças e jovens na luta pela paz. As histórias escolhidas, contadas e refletidas por ele são comoventes, elas são tristes e alegres ao mesmo tempo, pois, se, por um lado as crianças e jovens, muitas vezes, são as vítimas que, historicamente, mais sofrem com injustiças, violências e guerras, por outro elas enfrentam as lancinantes dores da vida e, resilientes, recriam um mundo melhor para se viver.

O protagonismo juvenil faz a diferença na erradicação da fome, da miséria, do tráfico de pessoas, do trabalho infantil, dos abusos sexuais, das crianças-soldado, dos jogos violentos, dos brinquedos de matar, de quaisquer armamentos, dos regimes totalitários, da intolerância racial, social, sexual e religiosa; gritam pelo direito à terra, à água potável, ao acesso à educação e ao cuidado da saúde. Nesses cenários destacam-se: Song Kosal, Iqbal Masih, Craig Kielburger, Farliz Calle, Sadako Sazaki, os estudantes de Pristina e os grupos PUF, JUPP e UPP, Severn Suzuki, Ryan Hreljac, Anne Frank, Samantha Smith, Hector Pieterson, Nkosi Johnson, Thandiwe Chama, Om Gurjar, Malala Yousafzai, Katie Stagliano, Divine Bradley, Alexandra Scott, Dylan Mahalingam e Edson Souto, para citar alguns.

Na perspectiva e no esforço da educação para a paz, Dom Irineu ajuda-nos a reformular o discurso vigente afirmando que “as crianças e os adolescentes não são hoje os cidadãos do amanhã, mas serão amanhã os cidadãos de hoje”. Entretanto, afirmar e encorajar crianças, adolescentes e jovens a serem protagonistas não significa, sob hipótese alguma, colocar sobre os mesmos a inteira e fatigosa responsabilidade pela transformação social. Isto seria tão grave e inoportuno quanto desacreditá-los. Sendo assim, para contribuir na realização dessa tarefa, precisa-se de educadores comprometidos com as causas da paz e da não-violência, que possam dar testemunho e também acompanhar esse processo de constante aprendizagem, valorizando suas potencialidades e respeitando suas limitações.

Nesse sentido, ainda que venha a ser uma representação, colocar-se no lugar do outro é um exercício pedagógico eficaz, tal como afirmam os estudantes do nono ano do Ensino Fundamental.“O sor nos disse que crianças também podem mover o mundo e isso me deu ânimo e inspiração", disse Fábio. "É muito importante mostrar o valor dessas crianças e adolescentes que mudaram a realidade e contribuíram para um mundo melhor, mostrar também o que podemos fazer pra continuar evoluindo”, reforçou Gabriel. “Aprendi que nós jovens e crianças somos capazes e fortes para realizar quaisquer coisas que desejarmos. Não somos inferiores aos adultos. Temos tudo de que precisamos, só falta vontade de realizar nossas ideias”, concluiu Giovana, ao conhecer a história dos cidadãos do presente.

Quando o engajamento e a coerência, o entusiasmo e a confiança do adulto atinge o mais profundo do ser juvenil, a sensibilização para um aprendizado verdadeiro e transformador acontece. E ao descobrirem-se empoderadas podem surpreender e reeducar também os senhores da história. Por isso, são consideradas cidadãs e cidadãos do presente. Elas não esperam chegar à maturidade adulta para exercerem a responsabilidade para com a própria vida e em prol da vida de seus semelhantes. Dentre os muitos testemunhos anônimos, as crianças, adolescentes e jovens ora citados simbolizam épocas e lutas, superações e transformações pessoais e sociais, de modo que vale a pena semear tais exemplos e admirar sua germinação como possibilidade real de um pacifismo que não tardará a florir. 

Notas e referências
GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Cidadãos do presente: crianças e jovens na luta pela paz. São Paulo: Saraiva, 2002.

11 comentários:

  1. Anônimo2/4/13 16:25

    achei o texto bem interessante. Pessoas que poderiam ter salvo só a sua vida, salva a vida de várias pessoas. IGOR MAGNUS COLÉGIO LA SALLE

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    1. Igor, você já está despertando para também se tornar um cidadão do presente. Fiquei muito contente por seu comentário espontâneo. Abraço.

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  2. sor, eu peguei a alexandra scott, tenho que falar como esta o cancer nos dias de hj???????

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    1. É uma excelente possibilidade. Beijo!

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  3. Oi

    Sou a gabrielly da 164 do auxiliadora, a pequena.

    Sor adorei seu blog, os textos em fim.

    bjoss, xau.

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    1. Oi Gabi! Fico contente que tenha gostado. E espero que você possa aproveitá-lo bastante para o seu conhecimento religioso. Beijão!

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  4. Anônimo1/5/13 17:46

    Sor, acho muito legal essas coisas que as pessoas fazem pelos outros e não só por si mesmo.
    gosto muito de seu blog, continue o bom trabalho!!!
    Guilher Luz Scalzilli
    Maria Auxiliadora

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    1. Gui, meu querido, concordo. Pensar em nós e nos outros é algo muito exigente. Sua turma fez um belíssimo trabalho. E você também fez uma excelente apresentação. O blog está aqui para contribuir. Em breve, minha amiga Gabi estará acessando essas informações também. E você já estará no Ensino Médio. Até a próxima aula! Abração.

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  5. Anônimo1/5/13 19:35

    Sor é a Nanda eu acho que deixei meu caderno na escola mas esta tudo bem,por falar nisso adoreeeeeeeeeeeeeeeeii o blog.Bjus.Nanda

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  6. Oi Nandinha. Que bom que você já o encontrou. Desejo que faça bom uso dessas informações. Beijão. E até a próxima aula.

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  7. tudo bem lindo? tem facebook? adorei seu bolg professor júlio

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